O depoimento pessoal do denunciado e do treinador do Sub-20 não conseguiram fazer Ivan da Silva Francisco, auxiliar técnico da Portuguesa, escapar da suspensão de 4 jogos, além de uma multa de 1000 reais imposta pela 5ª Comissão Disciplinar Regional do Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro, por sua expulsão contra o Vasco da Gama, em partida do Campeonato Carioca Sub-20, no último dia 14 de agosto.
O membro da comissão técnica da Lusa foi multado e punido com a pena mínima do artigo 243-F parágrafo 1º do CBJD (ofensas à honra praticadas por atletas, técnicos ou membros da comissão técnica contra a equipe de arbitragem), por levantar do banco de reservas, xingar e chamar o árbitro de ladrão, sendo expulso após o fim da partida.
Em seu depoimento, Ivan tentou explicar que as palavras de baixo calão e as ofensas partiram de outra pessoa.
“A gente tinha tomado um gol no fim do jogo (vitória do Vasco por 1 a 0). Ao término da partida, permaneci no banco, que fica em frente a entrada do vestiário. A gente geralmente fica ali para acalmar os jogadores, consolaros atletas. Das minhas costas saíram os palavrões. Eu permaneci no campo aguardando os atletas. O árbitro chegou para mim e disse que eu estava expulso. Não entendi nada. Então, o senhor Dário (supervisor do time), que estava trás de mim, contou que havia xingado mesmo o árbitro”, relatou o auxiliar, que é ex-jogador e nunca havia sido condenado em tribunais desportivos.
“Estou no futebol desde 1984 e nunca tive problemas com arbitragem. Além disso, desde 2005 estou na beira do campo como técnico e nunca fui expulso”, revelou.
O treinador do Sub-20 da equipe da Ilha do Governador, Edson Nogueira, corroborou com as palavras do depoimento de seu auxiliar.

“No Nivaldo Pereira, a gente fica no meio campo a área técnica. Ao término do jogo, vim caminhando para o banco. Nosso supervisor (Sr. Dário) estava na porta do vestiário. O árbitro veio até o nosso auxiliar e o expulsou, mas não foi o Ivan que proferiu tais palavras. Deve ter sido para o supervisor. Inclusive, o Ivan estava conversando comigo quando foi advertido pelo árbitro. Além disso, o supervisor falou que xingou mesmo o árbitro. O sr. Dário não constava na súmula. Não deveria nem estar ali fazendo isso”, contou o técnico.
A defesa, representada pelo Dr. Mauro Chedid, tentou mostrar que não houve contradição no depoimento das testemunhas.

“As testemunhas relataram os fatos que ocorreram. Estamos falando de um atleta e membro de comissão técnica que nunca foi expulso. É primaríssimo. Os dois depoimentos apontaram quem proferiu as palavras, falando a verdade. Houve um erro de identificação do árbitro. Isso contaminou a denúncia feita contra o Ivan. Cabe a procuradoria dirigir a quem de direito ser feita a denúncia. Peço a absolvição, pois a súmula foi ilidida pelos depoimentos. Ficou evidenciado o erro de pessoa”, sustentou o advogado.
Porém, o júri não concordou com a defesa e nem com os depoimentos, alegando que o autor dos xingamentos e das ofensas deveria vir ao tribunal depor e se identificar para absolver o denunciado. Assim, por maioria. Ivan foi multado e condenado.
Texto e fotos: Rodrigo Sullivan/Assessoria TJD-RJ
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