A 3ª Comissão Disciplinar Regional do Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro puniu de forma branda dois integrantes da comissão técnica do Resende por expulsões na partida contra o Audax Rio, válida pelo Campeonato Estadual da Série A2 Sub-20, disputada em 30 de setembro, após a defesa apresentar a prova de vídeo.
O auxiliar técnico João Pedro Duque Sampaio e o treinador Mauricio Chico Teixeira Junior foram denunciados com base no artigo 258, § 2º, inciso II (desrespeitar os membros da equipe de arbitragem, ou reclamar desrespeitosamente contra suas decisões), do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), por manifestações direcionadas à equipe de arbitragem.
João Pedro foi expulso após abandonar a área técnica e se dirigir à arbitragem, questionando: “Cadê o cartão, seu juiz? Isso é para cartão!”. Já Mauricio recebeu cartão vermelho depois de deixar a área técnica e protestar contra a diretriz de arbitragem, afirmando: “Pode rasgar a diretriz de arbitragem. Não serve para nada”. Ainda segundo o relato da súmula, após o encerramento da partida, o treinador voltou a reclamar, dizendo: “Vocês estão de sacanagem. Marrentos para caralho!”.

Durante o julgamento, o Dr. Heitor Tadros, representante do Gigante do Vale, apresentou o VT dos lances para contextualizar os episódios. O advogado sustentou que as manifestações dos dois profissionais não justificavam punições mais severas e pediu a absolvição ou, alternativamente, a aplicação da pena mínima convertida em advertência.
Sobre João Pedro, o defensor afirmou que o auxiliar apenas pediu a aplicação de um cartão a um jogador adversário, repetindo as palavras “cartão, cartão”. Segundo a defesa, a manifestação foi um desabafo diante da decisão da arbitragem, que acabou expulsando o integrante da comissão técnica em vez de advertir o atleta.
Dr. Heitor argumentou que não houve qualquer ofensa ou desrespeito ao árbitro e classificou a ocorrência como uma expulsão decorrente da diretriz técnica. Também ressaltou que João Pedro deixou o campo sem provocar problemas adicionais.
Em relação ao técnico Mauricio, a defesa apresentou o contexto do desentendimento com o analista de arbitragem. Segundo o advogado, o profissional teria apontado o dedo em direção ao treinador, que reagiu da mesma maneira. Na sequência, conforme relatado, o analista deu um tapa na mão de Mauricio, sendo necessária a intervenção de outras pessoas para controlar a situação.
O defensor também contestou a descrição de que o treinador teria desrespeitado a área técnica, argumentando que sequer havia uma delimitação adequada desse espaço no local. Embora reconhecesse que Mauricio estava exaltado, pediu que todo o contexto fosse considerado na análise disciplinar.
Ao final do julgamento, a 3ª CDR decidiu aplicar ao auxiliar a pena mínima de uma partida, convertida em advertência.
Já o técnico foi condenado a um jogo de suspensão, penalidade que já havia sido cumprida anteriormente.