Em julgamento que levou mais de 2 horas e 30 minutos, com várias testemunhas e provas de vídeo apresentadas pela defesa, na tarde de quarta-feira (08/07), o Serrano foi multado e perdeu os pontos da partida contra o São Gonçalo, válida pela 10ª rodada da Série A2 Carioca, no Atílio Marotti, em Petrópolis, no último dia 27 de junho.
A 3ª Comissão Disciplinar Regional do Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro confirmou também o W.O. recebido pelo Leão, devido a falta de uma ambulância com equipamentos adequados de acordo com o regulamento da competição e a Lei Geral do Esporte.
Já com os times em campo, a arbitragem esperou pelos 30 minutos regulamentas para a chegada uma segunda ambulância, o que não aconteceu, já que a única que estava no estádio, não atendia as exigências, atestado pela médica responsável, Dra. Rebeca Morais.
O clube foi punido, por unanimidade, no Artigo 203 do CBJD (deixar de disputar partida ou dar causa à sua não realização ou à sua suspensão), além de receber uma multa de 3 mil reais.
A agremiação petropolitana foi defendida pelo Dr. João Marcelo Costa, que apresentou provas de vídeo mostrando os equipamentos disponibilizados na ambulância e o local que a mesma poderia se encontrar na hora do W.O.
“Havia um ponto cego no estádio. Pode ser que o delegado e o árbitro não tenha visto a chegada da segunda ambulância”, afirmou o advogado, que convocou três testemunhas: Helio de Freitas (diretor de futebol do Serrano), Samir Ferreira (intermediário responsável pela equipe médica e envio das ambulâncias), além de Marcia Gonçalves (proprietária da empresa Copacare, que forneceu as ambulâncias para o jogo).

O dirigente do Serrano lamentou o fato da ambulância contratada não ser a adequada e que nao sabia sobre a troca ou quebra da mesma, no dia do jogo.
“O Serrano estava no meio da tabela da Série A2, em sétimo ou oitavo lugar. Teríamos chance de nos classificar, caso a gente vencesse nas duas últimas rodadas. O Serrano contrata ambulâncias da empresa Copacare desde 2024. Pelo contrato, essa ambulância deveria ser uma UTI móvel tipo D (adequada ao padrão exigido pelo regulamento) e chegar ao estádio às 13h30. Mas parece que esta teve um problema no caminho”, contou Helio, concluindo que tentou contratar uma ambulância adequada, após saber que a partida não iria ser iniciada até a chegada de um novo carro.
“Na hora do aquecimento dos jogadores, o delegado me comunicou que não daria inicio a partida, pois a ambulância não tinha os equipamentos necessários. Não houve a informação de que a ambulância correta havia quebrado no caminho do estádio. Além disso, a empresa não informou que havia sido enviada uma ambulância fora dos padrões contratados. Quando a Dra. Rebeca confirmou que não havia o respirador, solicitamos uma nova ambulância com os equipamentos necessários. Eu e o supervisor fizemos diversos contatos com a empresa”, disse.
O dirigente revelou o tamanho do prejuízo que a agremiação terá com a queda para a Série B1 Estadual, caso o resultado do julgamento fosse adverso, pois o Leão terminou a competição na penúltima colocação, com a confirmação do W.O.
“Prejuízo será grande. Por volta de 2.5 milhõs de reais. Um verdadeiro transtorno financeiro para todos os profissionais envolvidos”, lamentou.

Samir Ferreira, que é enfermeiro também, confirmou a tentativa de repor a ambulância que atendesse as demandas da partida.
“Fui informado pela Márcia (dona da empresa) que a ambulância estava a caminho, mas que havia uma ambulância mais próxima, dentro da cidade, pois a Copacare fica em Duque de Caxias. E que essa ambulância chegaria antes do jogo. Porém, em nenhum momento me informou que a primeira ambulância enviada era diferente do que fora contratado”, revelou o intermediário, frisando que a Dra. Rebeca saberia quais equipamentos faltariam no veículo que já se encontrava no estádio.
“A Dra. Rebeca trabalha há 3 anos para a Copacare cobrindo os jogos. Saberia, com certeza, informar sobre os equipamentos que precisavam para o check list”, ressaltou.

Já a Dona Márcia Gonçalves, uma das proprietárias da Copacare, revelou que não informou mesmo sobre o envio da ambulância não adequada e confirmou o atraso da segunda.
“Realmente, não comuniquei ao Sr. Samir de que a primeira ambulância seria diferente das que habitualmente são enviadas. E também não disse que o carro contratado havia quebrado na serra, pois pois achei que ia dar tempo de chegar até o estádio para render a primeira. No GPS acusou que a primeira chegou por volta de 14h20 e a segunda chegou às 15 horas 15 minutos e 22 segundos”, contou.
A Procuradoria convocou também três testemunhas: Paulo Victor Blanco, delegado da partida, Lucas Neves de Almeida, árbitro do jogo, e a Dra. Rebeca. Esta última, não compareceu ao julgamento.

O delegado, que já atua há 5 anos na função, confirmou que foi a médica responsável que atestou a falta dos equipamentos necessários para atender a partida.
“Quando a ambulância estacionou, a médica e a as duas enfermeiras que estavam lá dentro me falaram que não tinham os equipamentos necessários previsto no regulamento para o jogo. Eu como leigo, acreditei que não tinha nada e parecia não ter, pois o médico da ambulância tem que preencher um check list da FERJ. No caso, a Dra. Rebeca revelou não haver os equipamentos nessa lista. Ela assinou o formulário de preenchimento, mas não conseguiria fazer o check list, por não haver os itens na mesma”, salientou Paulo Victor, frisando que a nova ambulância, prometida pelo Serrano, não haiva chegado até a aplicação do W.O.
“Só poderia estender mais esse tempo regulamentar de 30 minutos se houvesse uma ordem superior. Porpem, quando deu os 30 minutos no meu relógio e no celular, me dirigi ao árbitro e o mesmo encerrou a partida”, afirmou.
O árbitro, que já apita há 4 anos anos pela FERJ, ressaltou que fez o procedimento normal de espera e aplicação do W.O.

“O delegado da partida me comunicou que a ambulância não tinha os equipamentos necessários e fiz o protocolo antes do jogo. Depois de 30 minutos, dei por encerrado a partida, aplicando o WO. Nesse momento os dirigentes do Serrano pressionaram, mas um fato normal. Às 15h16 alegaram que chegou uma ambulância nova, mas não havia tempo hábil para iniciar a partida, pois eu já estava no vestiário”, contou Lucas Neves, frisando que não poderia esticar o tempo para a espera.
“Não há prosseguimento desse tempo de espera, a não ser por consentimento de ambos os clubes, o que não foi o caso, já que o São Gonçalo não concordou. Além disso, não informado sobre quebra de alguma ambulância”, afirmou.
Após os depoimentos, a defesa apelou para a realização de uma nova partida, já que o Serrano estaria sendo rebaixado com a confirmação do W.O.

“A falta de uma ambulância pode ser responsável pelo rebaixamento do Serrano e um prejuízo de mais de 2 milhões de reais ao clube, que é muito dinheiro dentro da realizado da agremiação. Além disso, a Copacare não foi transparente com o Serrano. A médica atestou ao delegado e ao árbitro que a ambulância não atendia ao que foi contratado. Não é erro de jogador, não é erro técnico, mas, sim, da empresa contratada. O Serrano fez o que a lei exige. Pois havia uma ambulância no estádio. O regulamento exige uma UTI móvel, que era o que tinha. O Serrano não deu causa a não realização da partida. Foi um fato causado por terceiros. Entregaram um equipamento distinto, não solicitado. O clube está sendo impedido de disputar um jogo que vale mais de 2 milhões de reais. Como vimos nos depoimentos, o Serrano não se recusou a resolver o problema. Foi uma diferença de segundos que a ambulância chegou. Está acontecendo um rebaixamento sem deixar o clube jogar”, alegou o advogado.
Entretanto, a 3ª CDR, mesmo com muito pesar pelo rebaixamento do clube, confirmou a perda de pontos e o W.O., além da multa aplicada ao Leão.
Texto e fotos: Rodrigo Sullivan/Assessoria TJD-RJ
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